"Liderar não é impor, nem só delegar, é despertar em outros à vontade de fazer o melhor!" Não é laranja, é vitamina C.

Vejo constantemente na mídia, consultores defenderem que o indivíduo nasce líder, nasce empreendedor e muitos vão aprimorando estas características inatas. Bem, sinceramente não estou muito convencido disso, apesar de admitir que seria muito mais fácil lidar com pessoas se essa premissa fosse verdadeira. Principalmente, pois se nascemos lideres, empreendedores ou acomodados, estaríamos condenados, isentos a nossa própria existência (salvo alguns que conseguiriam com muita força de vontade mudar algo que lhe foi atribuído desde seu nascimento). Estaríamos livres do incomodo de tentar nos entender, nos conhecer e de nos responsabilizar por nós mesmos.

Claro, se nasço acomodado, posso tentar mudar, mas responsabilidade não é minha. É da genética, DNA, dos meus ancestrais, etc. Essa é a grande covardia neurótica que vivemos, sempre o outro é responsável pelo nosso sucesso ou fracasso, não nos responsabilizamos por nós mesmos. Jean-Paul Sartre, grande filósofo Frances já dizia: “O inferno são os outros.” Que tal se pegarmos um bebê e verificarmos se ele realmente nasce líder? Bem, se tudo o que somos resulta de um determinismo cerebral, estamos salvos da angústia de ter que ser sem saber o que se é.

Lendo isso tudo, continuo não me convencendo que nascemos assim ou assado. Segundo grandes filósofos nós nascemos uma “tabula rasa”, ou seja, um papel em branco a ser escrito. Escrito por quem? Pela família, criação, cultura, sociedade, desejos, crenças, informações, etc…

Talvez este seja um dos baratos da vida, não estarmos fadados a nada. Viktor Frankl, um grande autor da psicologia, disse certa vez: “Conhecemos o ser humano como talvez nenhuma outra geração humana. O que é, então, um ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é.” E não estou disposto a voltar atrás deste grande passo que demos na psicologia. Vejo como grande diferencial a capacidade de diagnosticar e se adaptar a diversas culturas organizacionais. Justamente isso tem feito diferença para os executivos brasileiros hoje: Fazer diagnósticos, capacidade de gerar uma articulação política e alianças. Capacidade de manter foco sem perder visão do todo. Em épocas de crise ou especulações, hoje sinto primordial que um líder consiga manter engajamento de sua equipe, fazendo seus liderados se sentindo parte importantíssima do processo como um todo. Isso tem garantido a empregabilidade de grandes profissionais e executivos no Brasil. E a empregabilidade hoje é o grande mobilizador do comprometimento das pessoas. Não é mais a segurança na empresa, mas a segurança no mercado de trabalho.

Um líder deve saber identificar potencialidades, interesses e habilidades e seu grupo. Ouça seu grupo, o que eles esperam de você como líder, o que esperam de seu trabalho e de seu planejamento. Verá que acrescentarão muito ao que havia planejado, tornando a meta mais completa e única a todos. Um grande líder hoje é um líder que se preocupa com a sua sucessão e hoje, mais do que nunca, administrar é a arte de se tornar dispensável. E essa liderança é situacional.

Certo dia, a ex-primeira ministra da Grã Bretanha, conhecida como “A dama de ferro”, Margareth Thatcher disse: "Ser líder é como ser uma dama: se você precisa provar que é, então você não é."

Extraia do grupo suas expectativas sobre si próprios como pessoas, o que esperam atingir dentro do grupo e de sua vida pessoal e profissional. Essa atenção lhe dará o respeito necessário. Mostrando preocupação e cumplicidade sempre terá um grupo seguro e coeso. Saiba delegar funções, extrair o que há de melhor em cada uma do grupo.

A liderança e o poder são demasiadamente idealizados. Vejo hoje nos jovens que liderar ou ser um executivo se tornou uma espécie de imperativo social. O fato é que estes executivos estão se questionando cada vez mais sobre o preço que pagam, pagaram ou pagarão por todo este poder, idealização e status. Precisamos levar em consideração a nossa relação com o trabalho. O brasileiro é o cara (ou a moça) que pode muito bem se dedicar ao trabalho, vestir a camisa. Mas, ao mesmo tempo, é aquele que no primeiro dia do ano, com um calendário em mãos, começa a contar os feriados de todo o ano torcendo para que caiam em uma terça ou quinta-feira e assim poderão prolongar o feriado. Bem, é fácil avaliar que não vemos um trabalho como um prazer, mas sim como um meio, uma ferramenta para alcançar este prazer. Isso é uma construção social. O importante é sempre salientar o valor simbólico do trabalho. A necessidade do ser humano de pertencer a um grupo (Ex: Sou o João da empresa X) e de responder a famigerada pergunta social “quem é você?” Quantos daqui responderão, por exemplo: “Sou Willian, vindo de família tal de tal região, acredito em tais filosofias, crenças e acho que a vida deve ser vivida desta forma.”? Não, geralmente responderemos com o que fazemos, com nosso trabalho, nosso oficio e assim nos sentirmos socialmente úteis. E outra, quando o social lhe pergunta quem é você, tenho minhas dúvidas se sinceramente ele também não quer saber apenas o que você faz…

Muito mudou sobre a relação de algum tempo atrás com a contemporânea, atual, ou com os jovens executivos e profissionais que chamamos de “geração Y”. A grande diferença de hoje para 30/20 anos atrás, é que as relações não são mais incondicionais como eram antes. Não é porque o cara é meu chefe, fala quatro línguas, ganha tanto e tem o tal carro, que lhe devo obediência incondicional. Ele precisa mostrar que me valoriza que faz por merecer meu respeito, que me respeita para que haja condições dessa relação ser bacana e saudável. O mesmo acontece nos casamentos. Na época de meus avós não existia separação e não creio que eles eram mais felizes por isso, apenas não davam voz ao desejo. Claro que vejo muitos destes jovens exagerando em suas condições e solicitações, mas acho um ponto bacana. Ele consegue vestir sua própria camisa sem deixar de se engajar pela empresa. O que precisamos cuidar é que há uma diferença entre relações (seja casamento ou profissional) que tenham condições especificas para ser saudável e prazerosa e uma relação descartável. Essas sim acontecem muito em nosso mercado e na sociedade.

A busca por respostas prontas me preocupa, não queremos nos responsabilizar por nós mesmos. Vejo (nessa geração) uma busca incansável por respostas prontas e tentativas de terceirização de nosso sucesso sendo colocadas para o outro (Guru, escritor, revista, consultor, etc). Só entrarmos em livrarias ou revistarias que já nos deparamos com receitas de bolo. “Seja feliz em 10 passos”, “fique milionário em 2 anos”, “Seja mais eficiente desta forma”…. São inúmeros os títulos de livros e revistas com tentativas que enviar receitas mastigadas e prontas para os leitores. Insegurança? Preguiça? Não sei. Mas queria refletir sobre algo. O que os grandes líderes liam antigamente? Eu respondo: Liam filosofia, romances, grandes autores, operas, mitologia. O que lêem hoje? Gurus, escritores que tiveram algum ou muito sucesso em alguma epóca da vida, com uma especifica cultura, outra equipe, em um mercado diferente ou outro país. O que não significa que dará certo hoje. Usemos então como cases estas histórias e não como receitas ou passos que devemos seguir. Não existe uma receita para o sucesso. Existe a sua receita para sucesso.

Pense nisso e “Apague a luz ao sair”.

Blog "Executivos no Divã "

No ar "Executivos no divã", um novo blog fomentador da filosofia e psicanálise nas organizações e lideranças.

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