O conceito de networking como ferramenta de empregabilidade é em muitas vezes deturpado pelo uso do oportunismo e pela falta de bom senso, mas o fato é que o networking, para empregabilidade, se faz quando não precisamos dele.

É só abrirmos a maioria das revistas sobre carreira e jornais do País que indubitavelmente leremos algo sobre networking. Muito se fala sobre como fazer ou o que fazer para agregar em seus relacionamentos. Se me pedissem um conselho sobre networking, falaria sobre o exercício do “bom senso”.

Conheci um grande executivo de uma multinacional que me procurou, pois seria desligado da empresa por contenção de despesas e precisava fortalecer seu networking. Ele passou oito anos na companhia e, infelizmente, em um pedestal. Quando estamos em grandes cargos e grandes empresas, acabamos por ser muito "mimados" e "paparicados". Todos querem nos visitar, todos vêm nos procurar e, claro, compreendo perfeitamente que um cargo executivo em grandes empresas necessita de grande dedicação e até abdicação de horas de lazer. O fato é que ele passou oito anos em uma grande zona de conforto relacional.

Bem, esse executivo desejava fortalecer seu networking, algo que nunca havia feito nesses oito anos. Nenhum happy hour, poucas ligações e escassos e-mails. Foi quando me virei para ele e disse: “vamos trabalhar, mas lembre-se que o verdadeiro networking se faz quando não se precisa dele”.

Acho que os sons de minha frase ecoaram dolorosamente em seu cérebro, mas era preciso ser enfático para que ele não acabasse caindo em sua própria cilada. É importante ter claro que fortalecemos nosso networking quando estamos bem, trabalhando, com bons cargos, quando realmente networking acaba se tornando lazer, algo natural. Não afirmo que este é o único meio de se fazer networking, mas acredito que seja o mais saudável.
Para exemplificar, me lembro de um amigo que certa vez comentou ter recebido uma ligação que o surpreendeu: um antigo colega de trabalho ao telefone perguntando se poderia lhe fazer uma visita, tomar um café, pois estava procurando um novo desafio profissional. Meu amigo se virou para mim e desabafou: “Trabalhamos juntos por seis anos em nossa ultima empresa, há quatro anos que ele não me liga ou dá sinal de vida e, agora que precisa, quer tomar um café?”
Citamos aqui até agora muito de apenas uma área do networking, mas não podemos esquecer de outros pontos também muito importantes, como troca de negócios, serviços, parcerias e indicações que podem ser gerados em um café, câmaras de comércio, quadras esportivas ou até em uma sala de aula, onde valem as mesmas premissas que citei. Um dos princípios mais importantes das câmaras de comércio, como a Amcham, é realmente fomentar e fortalecer este relacionamento entre seus associados. Ser uma ponte e um facilitador do networking e de novos negócios entre eles, com uma grade crescente de eventos, palestras e oportunidades para troca de cartões e assim conhecer novas pessoas, empresas e permutar experiências.
Hoje não é novidade que profissionais em ascensão de carreira procuram grandes cursos de MBA não só pelo ótimo e elevado conteúdo curricular, mas também pelo networking que é gerado. O que poderá ser agregado com experiências de outras vivências em nichos diferentes e mercados até então desconhecidos e quem poderemos conhecer lá. Esse é um grande investimento na carreira e gera dois ativos: conhecimento e relacionamento.
Não podemos deixar esse investimento de lado. Networking é base de empregabilidade, ou seja, mais que segurança no emprego, segurança no mercado de trabalho.
Há uma linha tênue entre o networking e o oportunismo. Essa linha se chama bom senso. Só você poderá discernir sobre o que é mais adequado em termos de networking: como fazer, como abordar e o que oferecer para deixar esse relacionamento saudável. Assim, da mesma forma que você sabe que poderá contar com aquela pessoa, ela saberá que poderá contar com você.

* Willian Mac-Cormick é sócio da Consultoria de Capital Humano Mac-Cormick & Sommer

Segue o link para o artigo no site da Câmara Americana de Comércio. Clique aqui.

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